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Da Dívida à Prosperidade: Uma Jornada Possível

Da Dívida à Prosperidade: Uma Jornada Possível

21/02/2026 - 13:34
Matheus Moraes
Da Dívida à Prosperidade: Uma Jornada Possível

Em meio ao cenário de endividamento recorde, torna-se urgente desenhar caminhos sólidos rumo à estabilidade e ao crescimento econômico sustentável. Cada etapa dessa travessia pressupõe ação coordenada e responsável, embasada em dados oficiais.

Este artigo propõe uma análise detalhada da realidade da Dívida Pública Federal e oferece orientações práticas para transformar risco em oportunidade, conduzindo a nação de R$ 8,6 trilhões em 2025 ao patamar de prosperidade almejado.

Contexto Atual da Dívida Pública Federal

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) atingiu R$ 8,635 trilhões em dezembro de 2025, um acréscimo de 18% em relação a 2024. Esse aumento reflete, em grande parte, os efeitos da Selic a 15% ao ano, os déficits primários recorrentes e a volatilidade nos mercados externos.

Em um movimento inédito, a dívida interna cresceu 1,76% entre novembro e dezembro, enquanto a externa teve alta de 3,53%, alcançando R$ 326 bilhões. O déficit primário do setor público somou R$ 55 bilhões, ou 0,43% do PIB, frente aos R$ 47,6 bilhões de 2024.

Fatores de Pressão Sobre a Dívida

Vários elementos se conjugaram para pressionar o estoque da DPF, exigindo atenção redobrada da autoridade fiscal e monetária.

  • Juros elevados: a taxa Selic em 15% impacta quase metade da dívida brasileira.
  • Inflação persistente: corrói o valor real dos ativos e altera expectativas de investidores.
  • Déficits públicos: o desequilíbrio entre receitas e despesas amplia a necessidade de captação.
  • Política monetária global: alta nos juros dos EUA e incertezas internacionais.

O agravamento dessas pressões aumenta o custo médio da dívida, que passou de 11,80% para 11,85% ao ano em 2025.

Composição e Indicadores da Dívida

A diversificação de indexadores e prazos é fundamental para a resiliência fiscal. Ao final de 2025, a participação estava distribuída da seguinte forma:

No âmbito de indexadores, observa-se:

– 48,3% atrelados à taxa Selic flutuante;

– 22,0% em títulos prefixados;

– 25,9% vinculados à inflação (IPCA);

– 3,8% expostos ao câmbio.

O prazo médio da dívida manteve-se em quatro anos, com 17,5% do estoque vencendo em até 12 meses, dentro da meta de 18% a 22% para 2026.

Gestão e Estratégias do Tesouro Nacional

Para enfrentar os desafios, o Tesouro Nacional adotou medidas que equilibram risco e custo de financiamento.

  • Manutenção de colchão de liquidez: R$ 1,19 trilhão, suficientes para cobrir 7,3 meses de vencimentos.
  • Emissões externas recordes: US$ 10,8 bilhões em 2025, com foco em títulos sustentáveis.
  • Substituição gradual de títulos flutuantes por prefixados e atrelados à inflação.
  • Ampliação do Tesouro Direto: crescimento de 14% no número de investidores ativos, totalizando 3,436 milhões.

Rogério Ceron, secretário do Tesouro, ressalta: “O impacto da política monetária do BC sobre o endividamento é brutal. Ter um colchão confortável para volatilidades eleitorais e 2027 foi fundamental.”

Daniel Cardoso Leal, subsecretário de Dívida, reforça a visão de gestão equilibrada custo-risco e a diversificação de investidores, com não-residentes ampliando sua participação para 10,3%.

Projeções e Metas para 2026

O Plano Anual de Financiamento (PAF) define metas ambiciosas para 2026. A expectativa é que o estoque da DPF atinja entre R$ 9,7 e R$ 10,3 trilhões, com:

– Emissões internas de R$ 1,538 trilhão;

– Necessidade líquida de financiamento de R$ 1,677 trilhão;

– Manutenção da meta de prazo médio entre 3,8 e 4,2 anos.

Há também planos para emissões em EUR e CNY, além de títulos verdes que ampliem o apelo do mercado internacional.

Sinais de Esperança e Caminhos para Prosperidade

Mesmo diante de cenários adversos, surgem perspectivas positivas. A redução gradual dos déficits primários e o aumento da base de investidores oferecem sustentação à dívida.

O Tesouro Direto atingiu um estoque de R$ 213,24 bilhões, com vendas líquidas de R$ 5,949 bilhões em dezembro. Programas como Renda+ e Educa+ ampliaram o alcance da inclusão financeira para milhares de brasileiros.

Desafios e Recomendações para o Futuro

Apesar dos avanços, persistem riscos que merecem atenção especial:

  • Ano eleitoral: potencial volatilidade política e impacto na percepção de risco.
  • Déficit primário: necessidade de ajuste fiscal para evitar pressão sobre juros.
  • Sugestão de limite à dívida pelo FMI, debatido em fóruns da FGV.

Recomenda-se reforçar a disciplina orçamentária, investir em reformas estruturais e avançar na diversificação de prazos e indexadores.

Casos de Sucesso e Lições Aprendidas

Experiências recentes mostram que é possível harmonizar crescimento e solidez financeira. Alguns exemplos:

  • Criação de colchão confortável para amortecer choques externos.
  • Registro de emissões externas recordes sem comprometer a imagem soberana.
  • Fortalecimento do Tesouro Direto como ferramenta de gestão doméstica.

Tais iniciativas confirmam que o equilíbrio entre custo e risco é caminho viável para conduzir o país da dívida à prosperidade.

Em síntese, a jornada parte de um cenário de R$ 8,635 trilhões em 2025 e, por meio de estratégias prudentes, projeções realistas e participação cada vez maior de investidores nacionais e estrangeiros, trilha um caminho sustentável até 2026 e além. O compromisso com a gestão responsável da dívida e a implementação de reformas fortalecerão a confiança e criarão o ambiente propício para o crescimento econômico inclusivo.

Seguindo essas diretrizes, o Brasil não apenas administrará o passivo, mas também pavimentará a trilha para uma nova fase de prosperidade, consolidando sua posição no cenário global com solidez e credibilidade.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

Matheus Moraes, 28 anos, é analista de mercado de ações no conquistaextra.org, conhecido por seus relatórios sobre criptoativos e blockchain, orientando investidores iniciantes em estratégias seguras no volátil mundo das finanças digitais.