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Desvendando os Mitos da Gestão de Dívidas

Desvendando os Mitos da Gestão de Dívidas

27/01/2026 - 01:04
Maryella Faratro
Desvendando os Mitos da Gestão de Dívidas

Em um cenário de aperto fiscal e debates acalorados, é essencial questionar narrativas consolidadas. O Brasil encerra 2025 com mais de 82,5% do PIB comprometido com dívidas públicas e privadas. Neste artigo, iremos examinar dados e desconstruir falsas crenças sobre endividamento, oferecendo reflexões e soluções práticas.

Panorama Atual da Dívida Brasileira

Atualmente, a dívida pública líquida é apresentada como 35% do PIB, mas a verdade é outra. O cálculo “líquido” subtrai ativos que geram rendimentos quase insignificantes, enquanto a dívida bruta ultrapassa 80%.

Conforme projeções oficiais, o governo Lula fechará o mandato com 82,5% do PIB em dívidas públicas, o maior patamar desde 2021. Segundo o FMI, este índice alcança 90,5% do PIB quando considerados parâmetros internacionais.

O pagamento de juros e amortizações consumiu R$ 121,8 bilhões em dezembro de 2025 — um crescimento de 26,8% frente a 2024. Essa dinâmica prioriza instituições financeiras em detrimento da sociedade, alavancando desigualdades.

Na comparação internacional, o Equador auditou sua dívida em 2008 e conquistou uma redução de 70%, realocando recursos para saúde e educação. Essa experiência mostra que auditorias profundas e transparência podem transformar destinos nacionais.

Principais Mitos e Verdades

Mitos recorrentes sobre a gestão de dívidas moldam a opinião pública e respaldam políticas que favorecem o sistema financeiro. A seguir, desvendamos as distorções mais comuns:

As consequências desses mitos ultrapassam números: escolas sem recursos, hospitais com equipes reduzidas e programas sociais postergados. Enquanto isso, a ideologia do superávit primário se sobrepõe ao debate sobre desenvolvimento humano.

Quem Realmente se Beneficia?

Enquanto a população enfrenta cortes em saúde e educação, o setor financeiro desfruta de lucros recordes. Os principais beneficiários incluem:

  • Bancos públicos e privados, com fatias majoritárias em novos títulos.
  • Fundos de investimento, responsáveis por cerca de 18% da dívida, cobrando taxas elevadas.
  • Fundos de pensão, que detêm aproximadamente 13%, mas enfrentam déficits crescentes.

Essa concentração de ganhos explica por que políticas de superávit primário são mantidas, mesmo sob forte resistência social.

No Equador, a pressão social levou à renegociação com credores e à reinversão de excedentes orçamentários. No Brasil, a ausência de auditorias independentes perpetua políticas de favorecimento ao rentismo, mantendo o ciclo de endividamento.

Dívida Empresarial em Crise

A gestão privada de dívidas também enfrenta um quadro preocupante: 7,2 milhões de empresas estão inadimplentes, representando 31,6% dos CNPJs ativos. Pequenas e médias empresas (MPEs) concentram 6,8 milhões desse total.

O ticket médio das dívidas chega a R$ 3.500 por CNPJ, e o setor de serviços responde por 52,8% das inadimplências, seguido pelo comércio com 35%.

  • 40,6% das dívidas negativadas foram quitadas ou renegociadas em até 60 dias.
  • A alta da Selic para 14,75%, a maior desde 2006, eleva custos de manutenção de dívidas.
  • Crédito restrito dificulta a rotação de capital de giro, pressionando pequenos empreendedores.

O peso dos juros altos e da burocracia torna quase impossível planejar crescimento sustentável em longo prazo.

Dívida Familiar e Hábitos de Consumo

O endividamento das famílias bate recordes: 79,3% estão comprometidas com algum tipo de dívida, e 30% já caíram em inadimplência. A média de juros para pessoas físicas alcançou 53,9% a.a., refletindo o impacto direto no orçamento doméstico.

Cartões de crédito e crédito consignado são as modalidades mais frequentes. Segundo Serasa, 62,5 milhões de brasileiros estão endividados. A pesquisa Febraban aponta que apenas 37% quitaram dívidas em 2025; 24% ainda levam “muito tempo” e 6% afirmam que nunca conseguirão sair do vermelho.

Juros elevados e falta de educação financeira formam uma combinação que aprisiona famílias em ciclos de consumo improdutivo.

Por outro lado, histórias de famílias que renegociaram com sucesso mostram que a educação financeira é poderosa. Ao criar um fundo de emergência equivalente a três meses de despesas, muitas conseguiram sair do vermelho e retomar o controle.

Dicas Práticas para Gestão de Dívidas

Para romper esse ciclo e retomar o controle das finanças pessoais e empresariais, apresentamos estratégias efetivas:

  • Renegocie prazos e juros diretamente com credores, buscando reduções reais de encargos.
  • Priorize quitação de dívidas com maiores taxas, evitando rolagem constante de juros.
  • Elabore um orçamento detalhado, separando despesas essenciais de supérfluas.
  • Constitua um fundo de emergência para três a seis meses de despesas essenciais.
  • Utilize aplicativos de controle financeiro para monitorar receitas e gastos em tempo real.
  • Participe de grupos de apoio ou consultorias gratuitas oferecidas por instituições sociais.
  • Considere auditorias independentes para dívidas públicas e pressões coletivas por transparência.
  • Invista em educação financeira: cursos, workshops e conteúdos confiáveis.

Implementar essas medidas pode reduzir custos e evitar que o pagamento de juros consuma grande parte da renda. Não caia no papo da rolagem eterna de dívidas: a renegociação consciente e o planejamento são as chaves para a liberdade financeira.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Farato, 29 anos, é educadora financeira no conquistaextra.org e criadora de conteúdo no YouTube, focada em empoderar mulheres empreendedoras com ferramentas práticas de orçamento, controle de dívidas e investimentos iniciais acessíveis.