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Mitos e Verdades Sobre Investimentos: Desmascarando o Óbvio

Mitos e Verdades Sobre Investimentos: Desmascarando o Óbvio

27/01/2026 - 10:04
Felipe Moraes
Mitos e Verdades Sobre Investimentos: Desmascarando o Óbvio

Investir pode parecer intimidante quando mitos e informações equivocadas se espalham com facilidade. Segundo estudos recentes, 88% dos brasileiros ainda mantêm seu dinheiro na poupança, muitas vezes por acreditar em barreiras de entrada inexistentes ou riscos exagerados. Este artigo desvenda as principais crenças equivocadas e mostra como qualquer pessoa pode aproveitar as oportunidades do mercado.

Ao longo do texto, apresentaremos as categorias de mitos mais recorrentes, suas realidades contrastantes e dados concretos que comprovam como é possível começar com pouco, diversificar de forma inteligente e manter a segurança dos recursos. Prepare-se para desconstruir preconceitos e tomar decisões informadas rumo a um futuro financeiro mais sólido.

Barreiras de Entrada e Acessibilidade

Um dos equívocos mais comuns é o de que apenas os ricos podem investir. Na verdade, com plataformas democratizadas pela desbancarização, é possível começar com aportes mínimos. Existem fundos internacionais a partir de 10 euros e corretoras que permitem aplicações de valores simbólicos em ativos variados.

Outro mito frequente é acreditar que é necessário contar com grandes empresas especializadas ou pagar altos honorários a profissionais. Hoje, plataformas online oferecem recursos educativos gratuitos, tutoriais e simuladores para quem deseja aprender a investir por conta própria, reduzindo custos e ampliando o acesso.

Por fim, muitos pensam que “agora é o momento errado para investir”. Contrariando essa visão, especialistas afirmam que qualquer momento é bom para investir, sobretudo quando o objetivo é o longo prazo. Flutuações iniciais são naturais e, com paciência, tendem a ser recompensadas.

Risco e Retorno

Existe a crença de que, para obter retornos elevados, é preciso assumir riscos altíssimos ou apostar no “tudo ou nada”. A realidade é que risco e retorno estão correlacionados, mas podem ser equilibrados com uma estratégia de diversificação entre renda fixa e variável.

Investir não é como jogar em um cassino. Riscos calculados com dados históricos e análise de cenários substituem a ideia de enriquecimento rápido. Esquemas de pirâmide e outras fraudes não reguladas pela CVM devem ser evitados a todo custo.

Também se diz que ações são sempre mais arriscadas que títulos. Embora sejam voláteis no curto prazo, no longo prazo tendem a superar outros ativos quando alocadas em empresas sólidas e de alta governança. Da mesma forma, a noção de que investimento internacional é muito arriscado cai por terra diante da possibilidade de diversificar riscos de moeda, juros e regimes fiscais.

Poupança, Segurança e Liquidez

Muitos conservadores afirmam que a caderneta de poupança é a opção mais segura. De fato, oferece liquidez imediata, mas a rentabilidade costuma ficar abaixo da inflação, corroendo o poder de compra ao longo dos anos.

Não existem investimentos totalmente isentos de risco. Mesmo títulos públicos, reconhecidos pelo fato de o governo ser o melhor pagador, estão sujeitos a mudanças de mercado e política fiscal. Entretanto, oferecem níveis de segurança superiores a outras modalidades.

O receio de ter o dinheiro “preso” sem liquidez também é infundado em grande parte dos produtos disponíveis. CDBs com cobertura do FGC e vários fundos de renda fixa permitem resgates diários. Ainda assim, 88% dos brasileiros mantêm recursos na poupança por medo de perder acesso imediato.

Imóveis são frequentemente apontados como investimentos “sempre seguros”, mas têm riscos de liquidez e oscilam conforme a dinâmica local de oferta e demanda. O ideal é combiná-los com ativos financeiros para reduzir vulnerabilidades.

Estratégias e Conceitos Básicos

Guardar dinheiro sem investir não é suficiente para preservar o poder de compra. Poupar em produtos sem rendimento real favorece a perda frente à inflação. Em Portugal, por exemplo, estima-se que, em 2045, a pensão média corresponda a apenas 48,2% da renda atual, segundo a Comissão Europeia.

Confundir poupar com investir é outro engano. Poupar e investir são atividades distintas, pois o simples ato de guardar não gera juros compostos, essenciais para o crescimento patrimonial.

Há quem ache que somente especuladores diversificam carteiras ou que a Bolsa de Valores seja a única alternativa. Na verdade, a diversificação é essencial para todos os perfis de investidor e explica cerca de 80% dos retornos de longo prazo. Ações, títulos, fundos e ETFs devem compor um portfólio balanceado.

A ideia de que “dinheiro trabalha sozinho” é parcial: é necessário escolher ativos adequados e revisitar periodicamente a alocação para que o capital realmente cresça de forma consistente.

Sobre o Imposto de Renda, existe uma verdade parcial: quanto mais tempo sem resgatar, menor a alíquota aplicada, chegando a 15% fixa para fundos de ações. Isso estimula a visão de longo prazo.

Conselhos Práticos para Investidores

Para colocar o aprendizado em prática, aqui vão orientações diretas e objetivas:

  • Defina objetivos claros de curto, médio e longo prazo.
  • Use corretoras e plataformas que ofereçam ferramentas de simulação.
  • Construa uma carteira diversificada entre renda fixa e variável.
  • Aplique em produtos que acompanhem a inflação mínima.
  • Evite esquemas não regulados pela CVM ou promessas de retorno garantido.
  • Avalie periodicamente taxas, custos e performance dos ativos.

Conclusão

Desmascarar mitos sobre investimentos é o primeiro passo para uma gestão financeira mais consciente. Com educação e disciplina, qualquer pessoa pode começar com valores pequenos, aproveitar ferramentas digitais e construir patrimônio de forma sustentável.

Não deixe que crenças equivocadas atrasem seus objetivos. Invista em conhecimento, revise seu portfólio com regularidade e mantenha o foco no longo prazo. A liberdade financeira está ao alcance de quem decide agir hoje.

Felipe Moraes

Sobre o Autor: Felipe Moraes

Felipe Moraes, 40 anos, é planejador financeiro certificado e coach de aposentadoria no conquistaextra.org, especializado em auxiliar famílias de classe média a construírem planos de poupança e investimento que garantam estabilidade econômica na aposentadoria.